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“Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador”

“Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio… negros… brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem… um apelo à fraternidade universal… à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora… milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!”

Sir Charles Spencer Chaplin

16/4/1889 – 25/12/1977

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Nunca quebre a regra numero um .


Tem horas que é difícil dialogar com a mulheres e ainda mais quando elas estão no período da TPM e por isso o marconi leal. escreveu um dialogo sobre a regra número um que jamais nós homens podemos quebrar .

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— Você é como a lua, amor.
— Gorda?
— Não. Clara e…
— Fria.
— Não, não.
— Você me acha pálida?
— Não!
— Então, acha que eu uso muito pó, só pode.
— Nada disso!
— Sou frívola, sem gravidade?
— Não, não, mas é claro que não.
— Minha pele é esburacada?
— Esquece. Jamais deveria ter te comparado à lua, foi uma indelicadeza minha. Você mais se parece com o sol.
— Cheeeia de estrias…
— Nããão! Tem luz própria e…
— Vivo dando voltas por aí?
— De jeito nenhum! Esquece o sol. Bobagem minha. Você… você é um cometa.
— Sabia! É a minha bunda, né? Muito grande.
— Bun… Não é nada disso, querida. Você é um cometa, porque…
— Posso causar grandes estragos, eu sei.
— Que é isso! O cometa é um astro de muita beleza, considerável grandeza e…
— Você nunca tinha reclamado de minha altura antes…
— Como? Eu… nunc… Não, não, pelo amor de Deus, não se trata disso! Me desculpa, não fica assim, bobagem minha. Não vou te comparar a nada mais no céu, tudo bem?
— Por quê? Você acha que eu não mereço?
— Claro que merece, mas é que… Tá, já sei. Você é como uma chuva refrescante na primavera, que tal?
— Como água, portanto: incolor, insípida e inodora.
— Não! Refrescante e…
— Passageira, fugaz, um evento sem maior importância.
— Meu amor, não é nada disso! Como poderia dizer que você é inodora?
— Tinha certeza que você ia fazer isso, mais cedo ou mais tarde.
— Isso? Isso o quê?
— Passar na minha cara, com ironia, que eu transpiro quando fico nervosa.
— Quê? Ora, só tava tentando…
— Dizer que não me ama mais. Suspeitava que todo esse preâmbulo era pra isso. Pois muito bem, saiba que…
— Não é verdade! Meu bem, minha querida, eu te amo! Te amo muito! Te amo mais do que você mesma se ama, se isso é possível!
— Então não tenho auto-estima, agora? Ou, pelo contrário, você acha que eu sou uma ególatra?
— Chega! Pára! Esquece, esquece tudo o que eu disse. E me perdoa. Não fiz por querer, mas sei que a culpa foi minha. Violei a regra número um de nosso casamento.
— Carinho, respeito mútuo e atenção?
— Não, evitar analogias quando você tá de TPM.

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O Diabo numa entrevista de emprego


— E então? O que é que o senhor sabe fazer?
— Ah, eu solto fogo pela venta, retalho carne humana, coloco um ou outro sujeito num caldeirão de óleo fervente, enfim, essas coisas básicas. Também produzo CDs de pagode e música sertaneja. E, claro, dou assessoria em Brasília. Mas isso daí tô abandonando, o pessoal lá é muito sacana…
— Uhmm, sei… Só isso?
— Não, não. Eu também vôo, olha aí… Vou de zero a cem em cinco batidas de asa. Se não tiver tráfego aéreo, claro.
— Entendi. E qual é o cargo que o senhor está pretendendo mesmo?
— Bom, eu queria uma coisa assim onde eu pudesse humilhar e explorar, tornar a vida dos funcionários uma desgraça, deixar as pessoas tensas e nervosas, sabe?
— Me desculpe, mas os cargos de chefia já estão todos ocupados.
— Então, quem sabe algo como ficar o dia todo de perna pro ar, sem fazer nada, vendo os outros trabalhar feito burro e, de vez em quando, passar a mão na bunda de uma funcionária?
— Nesse caso, o senhor vai ter que comprar ações da empresa. Me diga uma coisa, qual a sua idade mesmo?
— No calendário judaico ou cristão?
— Cris… Uhm! Mas que cheiro é esse?
— Enxofre, modéstia à parte.
— Urgh!… Olha, normalmente eu não faço isso, mas vou ser bem sincera com o senhor. Esse seu currículo está um tanto ou quanto antiquado, entende? O que é que eu vejo aqui? Correntes, fogo, caldeirões, ácido, tridentes… Esses são métodos ultrapassados. As empresas modernas utilizam outro tipo de tortura, como a hora extra não remunerada ou o amigo secreto no final do ano.
— Mas, moça, eu consigo me transformar no que eu quiser. Olha aqui… Tcha-ran! Virei um pastor evangélico!
— Não vi diferença.
— Agora, veja… bééé… me transformei num bode!
— Já tentou o Se Vira nos Trinta?
— Calma… Eu também faço caretas horrorosas, horripilantes. Vê? Fiquei a cara daquele cantor, o Lenine!
— Ha! O senhor precisa ver é a cara do meu chefe de manhã!… Não vai dar.
— Não diga isso, moça. Eu sei que eu tô meio velhão, mas, e a experiência? Eu tava aqui quando o primeiro raio de luz cruzou o firmamento! Vi os oceanos se formarem! Presenciei o nascimento da Hebe Camargo!
— Me desculpe.
— Moça, minha vida tem sido um inferno, eu tenho centenas de faunos pra sustentar… A senhora não entende! Me dê uma chance, por favor!
— Bom… Deixa ver… O senhor disse que sabe voar?
— Sim, sei. Olha aí…
— Tudo bem, tudo bem, já vi. E é rápido mesmo?
— Mais que um deputado desviando verba do orçamento.
— Então tá. Acho que tenho o cargo ideal para o senhor. Aperte aqui, o senhor está contratado.
— Puxa! Mesmo? Como diretor?
— Não, como boy. Começa na segunda-feira, parabéns! Agora, por favor, vê se toma um banho, sim?

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A fantástica aventura de Ed Stafford pelo rio Amazonas

Disseram-lhe que era impossível e, por isso mesmo, ele decidiu avançar. Ed Stafford, inglês, 34 anos, o fez um grande feito: caminhar ao longo do rio Amazonas da nascente à foz. Há dois anos e meio o fez toda essa tragetoria. Foram 859 dias e mais de 9500 quilómetros. Enfrentando bichos venenosos, vegetação impenetrável e a natureza humana.
Stafford, um ex-capitão do Exército Britânico, com passagem pela missão da ONU no Afeganistão, começou no dia 2 de abril de 2008 um projeto considerado impossível por muitos: caminhar ao longo de toda a extensão do Rio Amazonas, partindo da nascente, no Peru, e terminando na foz, no Brasil, mais precisamente no Estado do Pará.

No dia 9 de agosto de 2010, Ed Stafford finalmente completou a sua jornada o equivalente a pouco mais de 22 vezes a distância entre São Paulo e Rio de Janeiro.
Mas afinal, o que a história de Ed Stafford tem a ver com força de vontade? Ora, basta saber as dificuldades atravessadas todos os dias pelo explorador para que se entenda porque essa história, mais do que a jornada em si, tem tudo a ver com superação e força de vontade.
Stafford acordava todos os dias antes do nascer do sol e começava sua caminhada ainda no escuro. Andando cerca de 8 a 10 horas ininterruptas por dia, montava o acampamento onde dormia entre 3 e 4 da tarde. Ressalte-se, porém, que cada passo na densa Floresta Amazônica deve ser conquistado através de facão e machada, razão pela qual, em um dia bom, o explorador consegue cobrir uma distância de 7 quilômetros, no máximo.
Uma coisa é viajar de carro ou avião, outra é desbravar um bom pedaço da Terra.
Ainda por cima, como se as dificuldades impostas pela geografia da floresta não fossem suficiente, Ed Stafford teve que lidar com a presença constante da idéia de morte, seja através de ameaças de animais como cobras e sapos venenosos, através de vilarejos e tribos indígenas hostis ou, ainda, por incrível que pareça, pela dificuldade em obtenção de comida e água. Ocorre que, em algumas partes do percurso, o inglês é obrigado a caminhar até 1 quilômetro de distância do rio, o que acaba por dificultar a obtenção de água e, consequentemente, comida, ao ponto de ter vivido durante meses à base de palmito e, pasmem, piranhas.
Por sorte, ou por destino, o filho de advogados londrinos não passa pelas situações acima sozinho. Após perder a companhia de seu parceiro original já no terceiro mês de viagem, Stafford ganhou a companhia de Gadiel “Cho” Sanchez Rivera no quinto mês de viagem. O peruano, que inicialmente seria apenas um dos muitos guias locais a caminhar com o inglês ao longo de toda expedição, continuou a acompanhar o explorador até completar a caminhada. Stafford inclusive fala em conseguir um visto para Cho e levá-lo para o Reino Unido.

Observem  um trecho da reportagem publicada por Mark Barrowcliffe no jornal britânico Daily Mail após ter acompanhado Ed Stafford durante algum tempo (tradução livre):

“No meu tempo com ele eu quase fui arrastado por uma corredeira violenta, peguei uma alergia por todo o corpo que fez parecer com que eu tivesse sido grelhado, tive um par de sapatos desintegrado nos meus pés, escapei por pouco de ser mordido por uma cobra, por menos ainda evitei sentar em um sapo-boi azul, fiquei perdido, fui acusados por locais desconfiados de tentar roubar olhos de crianças e, sim, fui feito refém por cerca de 20 habitantes de um vilarejo com suas espingardas.
Também cheguei no ponto de exaustão física e meu joelho esquerdo nunca mais foi o mesmo desde então. Quanto tempo eu fiquei com Ed na floresta? Três dias. E essa foi a parte fácil.”



A pergunta a ser feita depois de se conhecer toda a história é: o que leva uma pessoa a fazer uma coisa dessas, arriscando seu bem-estar físico durante tanto tempo? Segundo o próprio Stafford, a intenção da aventura era chamar a atenção do mundo para a causa amazônica e, de quebra, arrecadar fundos para as instituições elencadas no site da expedição.
Mas pensem o quão fácil seria simplesmente desistir frente a imenso número de dificuldades que se apresentavam todos os dias nesses 859 dias de caminhada. Qualquer que seja a motivação de Ed Stafford, a história deste explorador é um exemplo moderno de força de vontade, que deve ser lembrado quando a saídas cômodas e fáceis se apresentam.



Caso queira saber mais dessa aventura e obter maiores informações no site www.walkingtheamazon.com, seguir Stafford no Twitter @amazonwalkers e assistir mais vídeos da viagem em seu canal no Vimeo.

 

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Amor nos tempos do viagra


— Tu acredita em amor?
— Namor? O Prícipe Submarino? Sim. Em quem não acredito é nos Super Gêmeos. Pra mim, trata-se dos super-heróis mais idiotas que alguém poderia criar. “Forma de um balde de gelo! Forma de água pra entrar no balde de gelo!” Ah, vão tomar no…
— Não, cara, amor. Tô falando de amor. Camões, Shakespeare, essas coisas.
— Bom, acreditar, acredito. Mas, na minha idade, já tenho experiência suficiente pra saber que o amor por si só não vale nada. Tem que vir acompanhado de coisas igualmente importantes.
— Carinho, afeto, compreensão, companheirismo…
— Viagra…
— Ih, tu tá nessa?
— Não é que eu esteja. Tecnicamente, não tô. Mas é como já dizia Wittgenstein: todo mundo precisa de uma ajudinha pra subir ladeira.
— Wittgenstein nunca disse isso.
— Como é que tu sabe? Tu lê alemão? Tu não lê alemão. Wittgenstein escreveu coisas que o próprio Wittgenstein não entendeu. Embora a academia já tenha entendido tudo.
— Não desvia o assunto. Tu anda tomando Viagra?
— Não é que ande tomando Viagra. Digamos que uso socialmente, em momentos de maior aperto.
— Exemplo.
— Loirinha peituda.
— Que é que tem?
— Tu já brochou com uma loirinha peituda, com coxas perfeitas, tudo no lugar?
— Nunca, pelo simples motivo de que a única loirinha peituda com quem saí acabei descobrindo se chamar Oswaldão. Nosso encontro durou o prazo de uma apalpadela e me gerou tal aversão ao silicone que até hoje não consigo ouvir o nome de Pitanguy sem entortar o pescoço e piscar o olho duas vezes, dizendo “Babalu, babalu.”
— Pois eu lhe digo que já brochei e o trauma é tão grande que, no dia seguinte, você quer se enforcar com uma scarf.
— O que é uma scarf?
— Não sei, por isso mesmo não me matei. Mas o sentimento é péssimo. De maneira que agora o Viagra fica ali na carteira, até mesmo por uma questão de civismo.
— Essa, nem com todo o Wittgenstein. Questão de civismo?
— Pensa rápido, Jurandir. Para me lembrar que eu sou brasileiro e não desisto nunca. Agora, desembucha. Quem é que tás comendo?
— Quanta sutileza! Te falei que é amor, rapaz.
— Sem eufemismo, Jurandir.
— Isso mesmo, sem eufemismo, sem bestialismo, sem nenhuma dessas safadezas. Amor, ponto final. Tô apaixonado, cara.
— E por quem, Jurandir? Eu conheço? Já comi?
— Tu é um bárbaro, rapaz, um selvagem. Agora escuta e presta atenção, aprende um pouco de poesia: fique sabendo que, depois de trinta anos de casado, tô apaixonado de novo por minha própria mulher.
— (Passa meia hora rindo.) Jurandir…
— Que é que foi?
— Jurandir… (Ri mais um pouco.)
— Que é?
— Jurandir… Tu é corno de tu mesmo, Jurandir! (Ri ainda mais.)
— Ah, vá…

Escrito por marconi leal

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Era dia 12 de junho

Ana se lembrava bem. Como em todos os outros dias, ela se levantou, entrou embaixo do chuveiro, lavou seus cabelos, colocou uma roupa, comeu algo e foi pra escola. Quando a garota chegou em casa, abriu seu MSN. Um convite novo. ‘Aceite’, pensou ela. Foi por sua intuição, sempre ia. Era um garoto, chamado Bruno. Os dois começaram a conversar. Com o tempo descobriram que gostavam das mesmas bandas, das mesmas comidas, do mesmo tudo.
Tinha quase tudo em comum, exceto uma coisa: a cidade. O garoto morava em Londres. A garota, em Bolton, uma pequena cidade ao sul da Inglaterra.
Eles começaram a conversar mais e mais. Cada dia mais, cada vez mais. A mãe de Ana achou que estava viciada em internet, o que realmente estava. Ela estava certa, Ana não podia contrariá-la. A garota era apenas muito preocupada com seu futuro, não deixava de fazer lições de casa para entrar no computador. Mas assim que acabava, ligava logo o aparelho.
Era também o caso de Bruno.
O garoto sempre que chegava da escola deixava o computador ligado, com o Messenger aberto. Desligava a tela do computador, e fazia a lição. Sempre tinha pouca, então ficava esperando Ana, até 6 da tarde, que era quando a garota entrava, mais ou menos.
Os dois começaram a conversar aos 17 anos, e foi assim. No começo dos 18 anos, aconteceu a coisa mais esperada pras amigas de Ana (sim, porque as amigas sabiam de tudo, e esperavam há cerca de 9 meses algo acontecer): Bruno a pediu em namoro.
E foi assim, se conheceram por um computador, namoravam por um computador. O que os dois tinham era maravilhoso. Uma coisa que as amigas de Ana jamais haviam experimentado, ou ouvido falar. Nem mesmo na ‘vida real’. Eles confiavam um no outro mais que qualquer casal que todas as amigas de Ana já tinham visto, ou ouvido falar. Isso requer, realmente, muita confiança. E eles se amavam. Quando as amigas de Ana passavam o dia na casa da garota, elas viam a conversa. Elas conseguiam sentir o amor.
Eles estavam completa e irrevogavelmente apaixonados. Não havia nada que mudaria aquilo. O tempo passou, os dois ficavam mais apaixonados a cada dia (o que ia totalmente contra as idéias de Marcela, amiga de Ana. A garota pensava que a cada dia que se passasse, a tendência era o amor se esvair. Eles provaram que estava errada). Todo dia de manhã, na hora da aula dos dois, Bruno ligava para a garota. A acordava, para começarem o dia com a voz um do outro. Um dia o garoto apareceu com a boa notícia: ele conseguiria ir para Bolton. Passaria um dia lá, pois viajaria.
Eles se encontraram à noite, em frente à ex-escola de Ana. Ela conversou com o garoto. Ana não quis beijá-lo.
- Vou ficar dependente de você. Sei que você é uma droga pra mim, é viciante. Então se eu te beijar hoje, não vou conseguir ficar mais um minuto longe de você. A gente vai se reencontrar. E ai, vamos ficar juntos pra sempre.  
Ela disse e o abraçou. Com mais força do que já abraçou outra pessoa. E o garoto se contentou em encostá-la. Ele sabia que o que Ana estava falando era verdade. Eles IRIAM se encontrar. E IRIAM passar o resto da vida juntos. Ele tinha certeza que ela era o amor da vida dele. Bom, agora a ‘maldita inclusão digital’ se transformou na melhor maldita inclusão digital.
O tempo passou rápido quando eles estavam juntos. Se divertiram muito, e Bruno gostou da simpática cidade da sua namorada. Ele foi embora no dia seguinte, cedo demais para conseguirem se despedir.
O tempo passou, e o amor dos dois só ia aumentando. Passaram-se 6 meses desde que Ana tinha conhecido seu namorado pessoalmente, e Marcela ainda não entendia por que eles não tinham se beijado.
- Any, você já parou pra pensar que pode ter sido uma chance única?! Você foi idiota, você sabe disso, né? – A garota dizia, sempre culpando Ana.
Mas ela sabia o que era melhor pra ela. Já tinha cansado de explicar para Marcela. Não explicaria mais uma vez. Haviam 9 meses que os dois namoravam, e um ano que se conheciam.
Eles se amavam muito, mais que qualquer pessoa que as amigas e amigos do casal já tinha visto. Um dia, Bruno apareceu com a notícia: ele conseguiu uma bolsa em uma faculdade em Bolton, e se mudaria para a cidade tão desejada.
Ana se chocou com isso. Por semanas se perguntou se sacrificaria o tanto que o garoto iria sacrificar por ele. Mas ela não era a maior fã de pensamento. Isso a fez mal.
- Any, deixa de ser besta. Você o ama, até eu posso perceber isso! E você sabe, eu não sou a pessoa mais esperta do mundo. – Marcela disse, encorajando a amiga.
- Eu sei, Marcela, mas... Ele tá desistindo da vida toda dele em LONDRES pra vir pra BOLTON! Por mim! – Ana disse – E pela bolsa que ele ganhou na faculdade, mas é mais por mim, ele me disse.
- Ana, presta atenção. – Ana olhou pra amiga. – Você não sabe quantas meninas invejam você. Não sabem mesmo. Eu, por exemplo, te invejo demais. Daria qualquer coisa pra ter um namorado como o seu. 
Vocês confiam tanto um no outro, e se amam tanto. Eu tenho até nojo de ficar no quarto com você quando você ta conversando com ele. É um amor que se espalha no ar, que nossa senhora! Eu consigo sentir os coraçõezinhos explodindo pelo quarto. Ai fica tudo rosa, e você fica com uma cara de sonho realizado pro computador! Any, pára de subestimar o que você tem. Deixa de ser idiota.
- Você é um amor, sabia? Marcela, não sei. Não dá. Eu não desistiria de tanto por ele, e eu acho injusto ele desistir de tanto por mim.
Marcela bufou. Porque a amiga tinha que ser tão burra?
Meses se passaram, o tempo passava rápido. Ana não terminaria o namoro por messenger, frio demais. Ela esperaria o namorado chegar.
A garota tentava adiar o máximo possível, por mais que quisesse ver o garoto de novo. Ele tinha um cabelo lindo, e olhos mais ainda. Ana conseguiria ser invejada por todas as garotas da cidade se fosse vista com ele. Mas ela não queria inveja. Queria seguir o seu coração.
Quanto mais Ana queria adiar a situação, mais as horas corriam, e com elas os dias, as semanas, as quinzenas, os meses. O ano.
Chegou o dia; Ana esperou o seu futuro-ex-namorado onde se encontraram meses atrás.
Ela negou o beijo mais uma vez. O namorado ficou sem entender, mas aceitou.
- Olha, eu tenho que conversar com você.
- Diga. – Bruno sorriu.
- Quando você me disse ‘Vou me mudar pra Bolton’, eu fiquei feliz. Mais feliz que já fiquei há muito tempo. Mas depois eu comecei a pensar se faria o que você ta fazendo por mim. Você desistiu de toda sua vida em Londres, Bruno.
- Eu sei. Pelo melhor motivo na face da Terra.
- Não, não é. Eu sinto que eu não to sendo justa com você. E sem ser justa com você, eu não sou justa comigo. Eu não sei se eu faria o que você fez. Eu acho que não. Eu sou egoísta demais, eu não sei. Não quero mais ser injusta com ninguém, não quero dormir pensando isso. Há meses eu penso nisso, e fico com peso na consciência. E, de verdade, eu não sei se seu amor é o suficiente pra mim. – A garota disse e virou as costas.  
Foi andando para a sua casa. E ao contrario de momentos tristes clichês (n/a: eu odeio clichês), não estava chovendo. O céu estava azul, o sol brilhava, como raramente acontecia em Bolton. Mas o que estava dentro de Bruno (e de Ana) não era assim tão brilhante.
Para Ana chegar em casa, tinha de passar pela frente da casa de Marcela – era esse o motivo de um sempre estar na casa da outra; elas moravam lado a lado. A garota passou correndo, chorando, enquanto Marcela estava na janela. Marcela saiu correndo de casa – ignorando completamente o estado critico em que se encontrava: blusa dos ursinhos carinhosos, cabelo preso em um rabo-de-cavalo mal ajeitado, short curto de florzinhas e pantufas do tigrão – indo logo para a casa da amiga. Ela bateu a campainha, e a mãe da amiga atendeu. Disse que podia subir as escadas, Ana estava em seu quarto.
Marcela subiu correndo, tropeçou, quase caiu 3 vezes – ‘Malditas escadas enormes’, pensava – mas chegou ao quarto em segurança (lê-se sem sangue escorrendo pela cara).
- Any! O que foi, amor? – A garota encontrou a amiga deitada, chorando em sua cama.
- O Bruno! – Ana não conseguia falar direito. Por essa mini-frase Marcela tinha entendido. Não tinha mais Ana e Bruno pra sempre e sempre e sempre e sempre. Agora era Ana.
A garota aprendeu a viver com a dor. Passaram-se 5 anos, Bruno estava formado em direito, era um advogado de sucesso, ainda morando em Bolton – nunca largaria a cidade que abrigava seu, ainda, maior amor. Ana era uma fotógrafa de sucesso, ganhava a vida fotografando famosos de todo mundo – mas não saíra de Bolton também, amava a cidade com todas e cada fibra de seu ser.
Bruno era melhor amigo de Ana, Ana era melhor amiga de Bruno. Ana tinha um noivo, um executivo de sucesso, que vivia de Londres pra Bolton, de Bolton pra Londres. Já Bruno sabia: por mais que tentasse achar alguém igual à Ana, não conseguiria. Só ela seria o amor da sua vida, que ele amava excepcionalmente. Nunca iria mudar. 
Ana iria passar algum tempo fora da cidade, iria para a capital, fotografar uma banda inglesa. Iria dirigindo à Londres – depois de tanto custo para tirar a carteira de motorista, agora queria mostrar ao mundo que tinha um carro e sabia guia-lo.
Um carro. Dia chuvoso. Pista dupla. Um caminhão. Visão confundida. Bebida em excesso. No que isso poderia resultar? Não em uma coisa muito boa, com certeza. O caminhão bateu de frente com o carro de Ana. Ela não estava muito longe de Bolton, portanto ela foi levada para um hospital na cidade. O seu noivo, por sorte, estava em Bolton. Foi avisado, depois os pais, Marcela. E por ultimo, Bruno.
Ele se apressou em chegar ao hospital que Ana estava internada. Ele chegou antes mesmo de Felipe, noivo da garota. Bruno andou por corredores com luzes fluorescentes fracas, brancas, o que aumentava a aflição dele.Como estaria Ana? A SUA Ana? Ele nunca imaginou nada de mal acontecendo à SUA Ana. Ela sempre seria dele, amiga ou namorada. Seria dele.
Achou o quarto em questão, 842. Abriu a porta com cautela, e viu a imagem mais horrível que jamais poderia ter imaginado: Ana, sua Ana, deitada em uma cama de hospital, com ferimentos por todo o rosto e braços – as únicas partes de seu corpo que estavam aparentes. Ele chorou. Não queria ver a pessoa que ele mais amava em todo o universo daquele estado. ‘Frase clichê’, pensou, ‘mas porque não eu?’. As lágrimas caiam com força. Ele saiu do quarto com a visão embaçada pelas lágrimas; não sabia o que podia fazer.Ele foi para o lugar do hospital em que se era permitido fumar, e fez uma coisa que não fazia desde que tinha conhecido Ana: acendeu um cigarro. Começou a fumar, e ficou sozinho lá, encarando a parede. Imaginando se teria sido diferente se ele tivesse continuado em Londres. Ele lembrava, foi quem apoiou o curso de fotografia.  
- Ah, cara... – Ana chegou se lamentando.
- Que foi, Any? – Bruno sorriu.
- Eu tenho que escolher o que eu vou fazer da vida, mas... É difícil demais!
- Eu sei bem como é... Porque não tenta fotografia? – Bruno apontou para a máquina digital, que agora estava nas mãos da garota. – Eu sei que você adora tirar fotos.
- Bruno, sabia que você é um GÊNIO? – Ana sorriu e abraçou o melhor amigo. SEU melhor amigo.
Se ele não tivesse sugerido o curso, Ana não estaria no hospital à essa hora. Os pensamentos profundos do garoto foram cortados quando a porta se abriu, fazendo o garoto estremecer.
- Ah, que susto, doutor. – Bruno se virou.
- Desculpe. Você é Bruno, certo?
- Certo.
- Bom, você tem bastante contato com Ana, certo? – Bruno balançou a cabeça positivamente. – Nesse caso, eu sinto muito. Para sobreviver, a Ana precisaria de um coração novo.
A lista de espera por um coração é grande, e não sei se ela conseguirá sobreviver até chegar sua vez de receber um novo coração.
Como poderia viver em um mundo sem Ana?! Saiu do lugar. Não podia esperar as coisas acontecerem, e ele ser egoísta e ficar em seu mundo, fumando até Ana ir pra outro lugar. Ele pegou um papel, uma caneta e escreveu um endereço, e um horário, uma hora depois daquilo. Entregou para o noivo de Ana, que agora estava na sala de espera.
- Já foi vê-la? – Perguntou Bruno. O noivo negou com a cabeça.
Ele saiu andando, saiu do hospital. Foi para seu escritório, pegou 3 papéis grandes e digitou 3 cartas. Uma para os pais. Uma para Ana. E uma sobre os desejos que tinha.Ele tomou um remédio depois disso. E dormiu, lenta e serenamente, dormiu. Não acordaria mais. Quando o noivo de Ana chegou, encontrou Bruno deitado no chão, sem pulso. Estava morto. Em cima da mesa, 3 cartas. Um recado para ele: "Eu não gosto de você. Nunca vou gostar. Mas mesmo assim, você tem que fazer algo que não poderei fazer. Leve meu corpo para o hospital, com essa carta em cima dele. A carta que está em cima das outras. 
Após isso, entregue a segunda carta para Ana quando ela acordar. E quando a noticia da minha morte chegar, entregue a terceira para os meus pais."
Assim acabava a carta. Felipe não acreditava no que lia. Não acreditou, e nem precisava. Correu para o hospital em seu carro. Ele entregou a carta e o corpo do homem, que agora estava ainda mais branco. Aconteceu na hora; o coração dele foi tirado e levado para Ana. Quando ela acordou, não muito depois, viu os pais dela, seu noivo e os pais do namorado de 6 anos atrás. Eles sorriam e choravam; ela não entendeu. Foi quando viu a carta com a letra dele, escrito o nome dela. Ela pegou a carta e leu, então. "Meu amor, bom dia. É hora de acordar. Eu não pude te ligar hoje, você estava ocupada. Por isso deixei essa carta. Sabe, eu não vou estar ai por um bom tempo, as pessoas sabem quando a sua hora chega. E eu aceitei a minha com a mesma felicidade que eu tinha quando te vi na frente da sua escola. A minha hora chegou quando seu fim estava próximo.Eu te prometi que te protegeria de tudo e qualquer coisa que acontecesse, e mesmo sem chamar, eu estive lá. Desta vez não me chamou, quis resolver sozinha, eu não podia deixar. Eu resolvi dar um fim então. Eu estava ficando cansado, o trabalho pesava demais. Mas porque agora? Eu não sei. Mas não teria sentido eu viver em um mundo que você não existe. Então eu decidi ir antes e ajeitar as coisas. Pra daqui a alguns anos nós conversarmos aqui na minha nova casa. Agora eu tenho que ir, meu amor. Esse coração no teu peito, esse coração que bate no teu peito. É o mesmo coração que está inundado do amor que você disse não ser o suficiente. É o mesmo coração que lhe dava amor todo dia. Por favor, cuide bem dele. Agora eu preciso ir, preciso descansar um pouco. Eu vou estar sempre contigo.  
Eu te amo !
PS: Não sei se vou conseguir te acordar amanhã. Você me perdoa por isso?"
Então ela chorou. Chorou e abraçou os pais, os pais dele. Chorou como nunca, e tremia por tantas emoções passarem por seu corpo. Ana encarou o noivo. Terminou o noivado naquele dia. Não adiantava esconder algo que estava na cara: ela amava Bruno, e seria sempre o SEU Bruno. ELE era o homem de sua vida, não Felipe. O homem que sempre esteve lá, amando-a ao máximo. Em qualquer momento.
Ela chorou muito, e seguiu a vida. Todos os dias ela lembrava de Bruno. Viver em um mundo sem ele não fazia sentido. Mas não desperdiçaria todo o amor e que estava dentro dela. Ela podia sentir seu coração batendo. Ela lembrava a cada momento, que mesmo separados eles estavam juntos. Mas apenas uma coisa fazia seu coração se apertar, se contorcer de dor. Que fazia uma lágrima se escorrer sempre que pensava nisso.
Ela sentia falta daqueles beijos. Dos beijos que foram negados. Mas ela foi feliz. Morreu com seus oitenta e tantos anos. Mas era sempre feliz. Afinal,
O coração do homem de sua vida batia dentro dela.

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Assalto com The Freud


ASSALTANTE (ENTRANDO NO BANCO)
Mão pra cima, isso é um assalto! Bora! Todo mundo passando a grana!
ALMEIDA
Essa sua fixação por arma de fogo, não sei não, hein.
ASSALTANTE
Todo mundo passando a… É o quê, ô palhaço?
ALMEIDA
Essa sua fixação por arma de fogo. É claramente uma sublimação da libido.
MARIA HELENA
Almeida dá pra você analisar o indivíduo depois do assalto? Ou quem sabe no céu, depois que ele matar todos nós?
ALMEIDA
Maria Helena, o céu é uma ilusão infantil criada pelos homens para…
ASSALTANTE
Repete o que tu falou aí, ô paspalho. Tu me chamou de lambido?
ALMEIDA
Não, li-bi-do. Em outras palavras, você tá usando essa arma aí numa espécie de manifestação sexual. Talvez por sentir alguma falta.
MARIA HELENA
Almei-dá!
ASSALTANTE
Tô sentindo falta de estourar os miolo de alguém, tá ligado? Acho bom tu ficar na tua aí, veio!
ALMEIDA
Olhaí, poder. Você só se sente seguro com a arma na mão. A arma, na verdade, é um substituto do pênis. Agora me diga: o que há de errado com seu pênis?
MARIA HELENA
Com o dele eu não sei, mas o teu eu vou arrancar se a gente chegar em casa vivo!
ASSALTANTE
Não tem nada de errado com meu pinto não, tá ligado? Nada. Nadinha… Er… Vem cá, tu por acaso andou conversando com a Creide, foi?
ALMEIDA
Ah, sabia. Desconforto com o pênis. Seja franco, qual é o problema? Você acha que ele tá abaixo da média?
MARIA HELENA
Eu tenho certeza que o homem tem um pintão, Almeida. Um pinto assim enorme. Um negócio de servir como fita métrica, né, moço? Agora você quer me fazer o favor de calar a boca?!
ASSALTANTE
Pra falar a verdade, não, dona. Eu realmente, eu… Sabe, é difícil assim de dizer, mas quando a gente vai num banheiro público e dá aquela espiadinha de lado, sabe como é, eu… Eu tenho um pinto pequeno, eu sei.
ALMEIDA
E usa a arma como uma maneira de compensar o que, em sua cabeça, é uma deficiência. Bingo. Não falei pra você, Maria Helena?
ASSALTANTE
Parabéns, doutor. Agora, se me der licença, eu vou usar a minha compensação, devidamente carregada com seis bala, pra pipocar seu objeto do desejo.
ALMEIDA
Vai matar minha mulher?
ASSALTANTE
Não, o senhor. Todo homem tá apaixonado por si mesmo. Eu também li o meu Freud, veio.
POLICIAIS (ENTRANDO NO BANCO)
Mãos ao alto. Pega o meliante. Isso. Algema. Leva pro camburão. Safado.
MARIA HELENA
Almeida, Almeida! Você salvou todo mundo, Almeida, você é um herói. Tô tão orgulhosa de você. (BEIJANDO-O) Meu homem! Meu!
ALMEIDA
Sentimento de posse. Você teve muita prisão de ventre na infância?

Poste escrito por :marconi leal

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Eu a beijei

Acabado o jantar, enquanto esperava a hora do jogo, deitei-me na cama e abri um romance de Gustave Flaubert, a minha preferida Madame Bovary. Desde a primeira vez que foi lida, ela se tornou um objeto de minha devoção.

Eu seria um de seus jovens amantes, fugia com ela e me transportava nas ruas, casas e coxas de Bovary. “Sacana essa Bovary”. “Infeliz Bovary”. “Esperta, essa filha da puta!” Sempre gostei das heroínas sacanas.
O que faria se vivesse tudo aquilo ou como seria se Bovary estivesse viva, nesta época, que impressões ela teria de nosso “modus operanti”. Evocá-la era um exercício intelectual divertido, e assim começa minha breve aventura literária, um delírio me ocorreu.
Ela estava em pé, em frente à janela da minha sala, em carne e osso. Vestia-se como Flaubert a descreveu em um dos capítulos do livro: vestido azul enfeitado com babados, pele branca, quase pálida, grandes olhos castanhos diretos. Os lábios não eram tão carnudos como pensei, mas a boca era bem desenhada. Os cabelos pretos deveriam ser longos a julgar pelo tamanho da trança. “Linda Bovary”- pensava, enquanto ela se voltou para mim. “Estás procurando alguma coisa?” Ao ouvir isso me apavorei. Estou louco.
O vulto de Bovary também falava, era ela, e como nunca tivesse existido, portanto, não estava morta. Se ela fosse um personagem histórico, o espiritualismo me ajudaria a compreender o fenômeno, raciocinava; mas como ela foi inventada por um autor do século XVIII, apenas a loucura seria a melhor explicação. “O que queres?”- perguntou novamente, andando em minha direção, com suas saias abundantes e a cintura fina – deixei de raciocinar.
Ela repetiu a pergunta, olhou em volta e se sentou na poltrona. No fim de alguns minutos, conversávamos. Lhe contei em que ano estávamos, país, cidade, dia. Respondi a cada pergunta tentando ser engraçado. “Você quer comer alguma coisa?”
“Sim, estou com fome.”
Enquanto comíamos, ela não parava de me perguntar sobre acontecimentos. Contei-lhe em resumo sobre guerras, arte, música, coisas que pensei que lhe interessariam. Ela me olhava atenta – “continue", dizia-me, quando eu fazia alguma pausa; mas eu não podia mais, a idéia de estar louco falando com o vazio na cozinha me gelou.
“Gostaria de continuar, mas você precisa ir.”- disse-lhe gravemente.
“Não… me fale sobre o amor, sobre Deus, sobre liberdade…”
“Bem – engatei um discurso – o único direito que temos é a morte, e em alguns países a e matar. A liberdade é um bêbado equilibrando-se numa corda bamba. Ser jovem é a única religião; a beleza, a única virtude; o amor é uma doença curada com antidepressivos. Não podemos caminhar nas ruas à noite, durante o dia, com medo; estamos enjaulados nos anestesiando”.
(Pausa).
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Eu a beijei

Acabado o jantar, enquanto esperava a hora do jogo, deitei-me na cama e abri um romance de Gustave Flaubert, a minha preferida Madame Bovary. Desde a primeira vez que foi lida, ela se tornou um objeto de minha devoção.

Eu seria um de seus jovens amantes, fugia com ela e me transportava nas ruas, casas e coxas de Bovary. “Sacana essa Bovary”. “Infeliz Bovary”. “Esperta, essa filha da puta!” Sempre gostei das heroínas sacanas.
O que faria se vivesse tudo aquilo ou como seria se Bovary estivesse viva, nesta época, que impressões ela teria de nosso “modus operanti”. Evocá-la era um exercício intelectual divertido, e assim começa minha breve aventura literária, um delírio me ocorreu.
Ela estava em pé, em frente à janela da minha sala, em carne e osso. Vestia-se como Flaubert a descreveu em um dos capítulos do livro: vestido azul enfeitado com babados, pele branca, quase pálida, grandes olhos castanhos diretos. Os lábios não eram tão carnudos como pensei, mas a boca era bem desenhada. Os cabelos pretos deveriam ser longos a julgar pelo tamanho da trança. “Linda Bovary”- pensava, enquanto ela se voltou para mim. “Estás procurando alguma coisa?” Ao ouvir isso me apavorei. Estou louco.
O vulto de Bovary também falava, era ela, e como nunca tivesse existido, portanto, não estava morta. Se ela fosse um personagem histórico, o espiritualismo me ajudaria a compreender o fenômeno, raciocinava; mas como ela foi inventada por um autor do século XVIII, apenas a loucura seria a melhor explicação. “O que queres?”- perguntou novamente, andando em minha direção, com suas saias abundantes e a cintura fina – deixei de raciocinar.
Ela repetiu a pergunta, olhou em volta e se sentou na poltrona. No fim de alguns minutos, conversávamos. Lhe contei em que ano estávamos, país, cidade, dia. Respondi a cada pergunta tentando ser engraçado. “Você quer comer alguma coisa?”
“Sim, estou com fome.”
Enquanto comíamos, ela não parava de me perguntar sobre acontecimentos. Contei-lhe em resumo sobre guerras, arte, música, coisas que pensei que lhe interessariam. Ela me olhava atenta – “continue", dizia-me, quando eu fazia alguma pausa; mas eu não podia mais, a idéia de estar louco falando com o vazio na cozinha me gelou.
“Gostaria de continuar, mas você precisa ir.”- disse-lhe gravemente.
“Não… me fale sobre o amor, sobre Deus, sobre liberdade…”
“Bem – engatei um discurso – o único direito que temos é a morte, e em alguns países a e matar. A liberdade é um bêbado equilibrando-se numa corda bamba. Ser jovem é a única religião; a beleza, a única virtude; o amor é uma doença curada com antidepressivos. Não podemos caminhar nas ruas à noite, durante o dia, com medo; estamos enjaulados nos anestesiando”.
(Pausa).
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Verdadeiro sexo a distância

O sexo seguro tornou-se muito importante e nada é mais seguro do que o sexo feito à distância, sem a necessidade de contato pessoal. Sexo à distância pode ser praticado de várias formas e a literatura já antecipa uma delas quando fala de homens que despem as mulheres com os olhos. Isto não é tão fácil quanto parece, principalmente se a mulher estiver usando um daqueles sutiãs presos atrás, o que obriga o homem a segurar o vestido da mulher com os olhos enquanto recorre aos dedos para desengatar o fecho. Outro perigo é o homem, depois de despir a mulher com os olhos, começar a lacrimejar descontroladamente, o que equivale à ejaculação precoce no sexo convencional.
A penetração visual também torna-se difícil sem o uso de acessórios, que vão da simples luneta a sofisticados Cateteres de Afrodite com controle remoto, que podem ser manipulados inclusive de outro continente.

O sexo por telepatia ganha adeptos e tem a vantagem de poder ser praticado em qualquer ambiente, em qualquer hora, sem que as pessoas saiam de onde estão. Estabelecido o contato telepático, digamos, num restaurante, nada impede que se passe de uma conversa preliminar para estabelecer o clima ("Vens sempre aqui?" "Gostas do Paulo Coelho?") para o ato, sem outro preparativo.
"Estou introduzindo a minha mão sob a sua saia, sinto a sua coxa roliça e quente..."
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O marginal do Vale do Silício


Os cabelos rastafári do cientista da computação americano Jaron Lanier, de 50 anos, o diferenciam claramente dos novos executivos que fazem montanhas de dinheiro no Vale do Silício. Mas não só eles. Pai do termo "realidade virtual" e pioneiro da internet, Lanier, uma das 100 pessoas mais influentes do mundo de acordo com a revista Time, largou seu entusiasmo pela web para "virar a casaca". Em seu livro-manisfesto Gagdet - Você não é um Aplicativo( Editora Saraiva, R$40 ), ele afirma que sites como Wikipédia, Facebook e até o Google acabaram estragando o espírito inicial da rede mundial de computadores para se tornarem um risco à individualidade.
*Um dos primeiros a enxergar a promessa da internet, agora você vê perigos em seu uso. Quando as coisas mudaram?
Jaron Lanier:Um dos principais momentos foi o surgimento do Google. Eu sou amigo de Sergey Brin [cofundador da companhia], e acredito que ele não tinha a intenção de fazer isso, mas o Google criou uma ideia de internet em que o único negócio financeiro é o de publicidade, com todo mundo fazendo qualquer coisa de graça, enquanto as centrais de publicidade online ficam com todo o diheiro. O problema é que os detentores do dinheiro também concentram o poder. Tudo virou uma maneira de tirar vantagem do que as pessoas faziam de graça. As políticas da internet eram bem de esquerda, todo mundo falava que tudo deveria ser voluntário, em prol da coletividade. Mas isso, ironicamente, causou todo o poder das companhias poderosas, como o Google e o Facebook.
*Quando reparou nisso?
Jaron: Há dez anos as pessoas começaram a me perguntar se poderia fazer parte de um grupo na internet, de pensamento coletivo. Foi aí que eu achei que estava acontecendo algo bem errado. Esse [o pensamento coletivo] foi um dos erros terríveis da internet.
*Você diz que a web 2.0 prejudicou a classe média. Por quê?
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Adolescente que lê 300 páginas em 1 hora

Aos 14 anos e muito comum ser viciado em Internet, videoga­me ou televisão. Luís Anto­nio Gonçalves Netto não. Aos 14 anos, é louco por livros. adolescente de São José do Rio Preto (SP) desen­volveu uma curiosa habilida­de: lê com rapidez, muita ra­pidez. Em uma hora, é capaz de devorar 300 páginas.
"Ler é muito bom", diz ele, que mora com os pais e a ir­mã. "Não importa o livro: longo e curto, lançamento e clássico, ficção e não ficção, até auto ajuda. Leio de tudo." 
O estudante  é tido como  exemplo de leitura e começou a dar palestra na escola onde estuda, a esquema Universitário, em são jose do rio preto, interior de são paulo, mais não foi sempre assim segundo ele, até Dezembro de 2009, quando cursava o 9. ano (antiga 8 serie do ensino fundamental, era  um aluno mediano. 

Só ali  por  por obrigação  o que era pedido em aua, a uma velocidade comum de 60 páginas em uma hora, e começou a tirar notas baixas no colégio . Foi  quando seu pai propôs um castigo se tirasse alguma nota vermelha, teria de ler dez livros na férias. 
A  nota vermelha apareceu  :  ele errou  o nome das 13 colônias da América do Norte , e por pouco não ficou em recuperação em história.Mas segundo ele o tropeço  serviu para despertar a habilidade  até então  desconhecida.
O pai, conforme o combi­nado, trouxe uma pilha de li­vros. O primeiro era "O Códi­go Da Vinci", de Dan Brown.
Mas o que era para ser um castigo acabou virando um prêmio: "Foi o melhor livro da minha vida. Aquele sus­pense, aquelas referências históricas, tudo aquilo me prendeu", conta.
A partir dali, foi um livro atrás do outro -"Marley & Eu", de Iohn Grogan, "1808", de Laurentino Gomes, "Opus Dei", de John Allen ... De de­zembro de 2009 até aqui, 340 livros em média. 

Em 51 minutos diante da reportagem da revistagalileu Luís Antonio Gonçalves netto leu um livro de 274 páginas Rota 66, de Caco Barcelos  ,e não pense que foi truque nesse mesmo período daria para nós fazer um dawnload de um arquivo de 700 megas pela Internet  ou assistir á metade do filme Salt com a linda da Angelina Jolie.

Segundo ele  lê a Bíblia inteira em 6 horas e ja devorou mais de 12 livros durante suas férias . 
Estantes cheias
Os pais compram os livros pela intemet. Assim, evitam prejuízo. "Um 'Harry Potter' custa mais de R$ 30 na livra­ria. Pela Internet, acho por R$ 9,90", diz o pai, o vende­dor Evandro Gonçalves.
A primeira estante já está cheia. A segunda, recém­ comprada, quase completa.
Entre os clássicos, ele cita "Dom Casmurro", de Macha­do de Assis. "Se acho que Ca­pitu traiu Bentinho? Eu, pes­soalmente, acho que não. Mas cada um tira a sua conclusão", divaga.
E puxa outro volume da es­tante. "Um livro interessante sobre traição é este: 'A Farsa', de Christopher Reich."
Para Luis Antonio, não existe livro ruim. O que exis­tem são livros "não tão bons". "Não gostei muito de 'Perigo de Vida', que são con­tos de terror do Alfred Hitch­cock. Num deles, um cara sai de carro matando todo mun­do. Achei forçado." 

Tanta  leitura segundo Luís  facilitou  diz ter melhorado em redação . Atualmente , escreve um livro , um suspense policias .
Como escritor , no entanto, o desempenho é outro : em um mês, foram apenas três a quatro paginas " É  muito difícil " diz , apesar do gosto que ele tem pela leitura , Luís leva  a vida normal de adolescente :sai com amigos , vai ao cinema , se arrisca no vidiogame. É claro não sem antes ler algum livro  .

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